Postado por Darian Worden em 10 de junho de 2010 em Commentary
Autoridades do estado de New York ameaçam fechar serviços não essenciais do governo se um orçamento estadual não for aprovado. O que, porém, é um serviço essencial do governo?
A “primeira greve do governo da história de New York,” como se expressa o New York Times num artigo de 9 de junho, não será tão excitante quanto a fazem soar. O governo ainda continuará funcionando; será, apenas, menos conveniente para os governados.
As autoridades pretendem continuar financiando serviços “essenciais,” como a Polícia do Estado (que perturba o tráfego das rodovias) e as prisões (que abrigam, principalmente, aqueles que cometem crimes sem vítima). O que será fechado são burocracias como o Departamento de Veículos Motorizados, monopólio do governo que as pessoas só precisam usar porque trabalhadores essenciais do governo as forçam a tanto. Parques controlados pelo estado fecharão, e o sistema computadorizado que processa reivindicações do programa de benefícios-saúde para carentes – Medicaid provavelmente não funcionará.
Situação análoga ocorreu em New Jersey em 2006. Políticos do estado continuaram a governar, mas não deixaram as pessoas usarem coisas pelas quais pagaram. Basicamente, as pessoas foram feitas reféns na procura de influência política.
Forçar uma decisão quanto ao que é considerado serviços essenciais do governo mostra qual é a natureza essencial do governo. Ele existe para exercer a força. Não para manter a sociedade funcionando sem percalços, e nem para assegurar que as pessoas tenham acesso à medicina. Essas coisas só figuram aí para fazer parecer que a sociedade não poderia funcionar sem o timão do estado. Governo é aquilo que governa, e governar é dominar outras pessoas por meio de autoridade iníqua.
As táticas de greve do governo deveriam suscitar a questão de como fazer as coisas sem o estado. Métodos alternativos de resolução de disputas não dependentes de tribunais “não essenciais” do governo seriam certamente algo em que pensar.
Outra cogitação seria: como poderiam as pessoas assumir coisas das quais o estado reclama propriedade?
Quando os líderes empresariais da Argentina abandonaram os locais de trabalho e aqueles que ali trabalhavam, considerando não valerem o investimento, os trabalhadores mantiveram seus empregos mediante eles próprios assumirem a gerência dos locais de trabalho.
Quem precisa de um governador para dizer como um parque deve ser administrado? As escolas provavelmente funcionariam melhor se geridas por pessoas que as usam em vez de por burocratas do Departamento de Educação. E todas as empresas ficam melhores ao serem administradas com base nas escolhas de indivíduos livres, não com base na coerção dos serviços essenciais do governo.
Se pessoas em número suficiente trabalhassem pelo máximo de liberdade em vez de concentrarem-se em ficar dosando as maneiras pelas quais o estado exerce coerção, as crises do governo poderiam ser usadas para obtenção de maiores concessões dos politicamente poderosos. Se houvesse suficiente demanda nesse sentido, os estados poderiam ser fechados de uma vez por todas e poderíamos fruir de um futuro sem órgãos coercitivos que aumentam o custo de vida enquanto trancam a economia numa hierarquia rígida.
As estruturas de poder autoritário que sempre tiram mais das pessoas e aplicam mais restrições a elas são instáveis. À medida que seu funcionamento afete cada vez mais indivíduos, haverá escalada de polarização e de conflito. O caminho da reestruturação(*) é parar de lutar para dominar os outros – a anarquia seria boa para o mundo.
(*) The Way Forward – O caminho para a frente, nome dado ao programa de reestruturação da Ford. Ver Wikipedia em inglês, The Way Forward.
Darian Worden é escritor anarquista individualista com experiência em ativismo libertário. Suas obras de ficção incluem Traga uma Arma de Fogo no Dia de Aula e o vindouro Guerra Comercial. Seus ensaios e outras obras podem ser vistos em seu seu website pessoal. Tem também um programa de rádio na internet, Pensar a Liberdade.