Postado por Thomas L. Knapp em 24 de março de 2010 em Commentary
Nunca consegui rastrear completamente a história da Fábula da Serpente. Dei com ela em 1994, no filme Assassinos por Natureza, e naquele mesmo ano no inventivo texto de Hunter S. Thompson acerca da eleição presidencial, Melhor do Que Sexo. Depois fiquei sabendo que pelo menos tão cedo quanto em 1968 o cantor de souls Al Wilson gravara uma versão dela como “A Serpente.” É provavelmente muito mais antiga do que isso. Ei-la aqui, em forma descarnada:
Uma mulher encontra uma cobra em algum tipo de apuro (congelada, ferida ou sendo atacada). Salva a cobra, leva-a para casa e cuida dela até que se restabeleça. A cobra se torna amiga de confiança e mascote. Um dia, a mulher resolve ir à cidade e pega a cobra para levá-la consigo … e a cobra a pica. Moribunda, a mulher pergunta à cobra por que fizera aquilo. “Senhora,” diz a cobra, “a senhora sabia que eu era uma cobra quando me salvou.”
Toda violência cometida por um novo governo contra tudo o que é certo e bom desperta reações de perplexidade e indignação — e toda vez que ouço essas reações, penso na Fábula da Serpente.
Seriamente, amigos: Vimos arrastando o peso morto do governo há milhares de anos, e trabalhando nas minas do estado moderno há centenas de anos. Como pode qualquer coisa que o governo faça causar supresa?
O irritante do dia é “reforma do atendimento de saúde,” especialmente o “AtendimentoObama” — um esquema preconizando que o governo dos Estados Unidos direcione as carteiras (e os corpos) de seus súditos en masse para as mandíbulas das empresas de seguros e farmacêuticas — o qual foi aprovado pela Câmara dos Deputados dos Estados Unidos no domingo à noite e logo será “lei do país.”
Em colunas anteriores cobri, em detalhe, o golpe do AtendimentoObama; tais detalhes não são importantes para minha argumentação aqui e, na verdade, não há nada de particularmente inusitado nesse golpe (dica: O objetivo de todos os programas de governo é transferir riqueza da classe produtiva para a classe política).
O ponto que desejo focalizar aqui — o objeto de minha frustração, para ser mais específico — é que as pessoas não parecem entender que, se persistirem em apertar contra o seio cobras venenosas, acabarão sendo mordidas.
Samuel avisou os hebreus do que aconteceria se eles insistissem em Deus nomear um rei (vejam I Samuel capítulo oito(*)) … e não seria coisa boa.
(*)I Samuel 8:4-20
4 Então todos os anciãos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a Ramá,
5 E disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações.
6 Porém esta palavra pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos julgue. E Samuel orou ao SENHOR.
7 E disse o SENHOR a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para eu não reinar sobre eles.
8 Conforme a todas as obras que fizeram desde o dia em que os tirei do Egito até ao dia de hoje, a mim me deixaram, e a outros deuses serviram, assim também fazem a ti.
9 Agora, pois, ouve à sua voz, porém protesta-lhes solenemente, e declara-lhes qual será o costume do rei que houver de reinar sobre eles.
10 E falou Samuel todas as palavras do SENHOR ao povo, que lhe pedia um rei.
11 E disse: Este será o costume do rei que houver de reinar sobre vós; ele tomará os vossos filhos, e os empregará nos seus carros, e como seus cavaleiros, para que corram adiante dos seus carros.
12 E os porá por chefes de mil, e de cinqüenta; e para que lavrem a sua lavoura, e façam a sua sega, e fabriquem as suas armas de guerra e os petrechos de seus carros.
13 E tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras.
14 E tomará o melhor das vossas terras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais, e os dará aos seus servos.
15 E as vossas sementes, e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus oficiais, e aos seus servos.
16 Também os vossos servos, e as vossas servas, e os vossos melhores moços, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho.
17 Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe servireis de servos.
18 Então naquele dia clamareis por causa do vosso rei, que vós houverdes escolhido; mas o SENHOR não vos ouvirá naquele dia.
19 Porém o povo não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram: Não, mas haverá sobre nós um rei.
20 E nós também seremos como todas as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras.
http://www.bibliaonline.com.br/acf/1sm/8
Thomas Paine advertiu os colonos britânicos de que “o governo, mesmo em seu melhor estado, é apenas um mal necessário; em seu pior estado, um mal intolerável.”
George Washington é citado (possivelmente apocrifamente possibly apocryphally mas certamente sabiamente) como, da mesma forma, advertindo os estadunidenses de que “o governo não é razão, não é eloquência — é força! Como o fogo, é servo perigoso e senhor atemorizador. Nem por um momento lhe deve ser permitida ação irresponsável.”
Amigos, as pessoas que estou citando aqui são os ingênuos, positivos, utópicos, desvairados otimistas da história política. Se vocês quiserem uma avaliação mais equilibrada e rigorosa dos fins aos quais os meios governamentais inevitavelmente conduzem, leiam qualquer história bem escrita do Holocausto do Terceiro Reich, dos Campos de Matança de Pol Pot ou do Grande Salto para a Frente de Mao.
É hora de vocês pararem de iludir-se.
É hora de parar de acreditar na história do “desta vez, será diferente — realmente!”.
Lucy sempre puxará a bola de futebol quando Charlie Brown tentar chutá-la, e uma serpente venenosa sempre morderá você quando você sucumbir ao fascínio de dar a ela oportunidade de fazê-lo.
Há dois modos de lidar com uma serpente venenosa: Evitá-la, ou matá-la. O mesmo é verdade quanto ao estado.
O Analista de Notícias do C4SS Thomas L. Knapp é ativista libertário de longa data e autor da Escrita do Artigo Opinativo Libertário Writing the Libertarian Op-Ed, livrinho eletrônico o qual partilha os métodos subjacentes a seus mais de 100 artigos publicados na mídia majoritária impressa. Knapp publica o Sumário de Notícias da Revista Racional Rational Review News Digest, um apanhado diário de notícias e comentários para o movimento da liberdade.