Postado por Darian Worden em 26 de janeiro de 2010 em Commentary
Andre Bauer, Governador Adjunto da Carolina do Sul e candidato a governador, fez uma menção que deveria terminar no rol de citações famosas de políticos.
Ao falar acerca de o governo oferecer merenda escolar, disse: “Minha avó não era mulher altamente instruída mas, quando eu era pequenino, disse-me para não dar comida a animais desgarrados. Sabem por quê? Porque eles procriam. Você estará facilitando o problema se der a um animal ou a uma pessoa amplo suprimento de comida. Eles se reproduzirão, especialmente aqueles que não pensam muito mais do que naquilo. Então, o que você tem de fazer é desestimular esse tipo de comportamento. Eles não tomarão a iniciativa de fazê-lo.”
Bauer depois sugeriu o estímulo ao desempenho estudantil mediante dizer-se às pessoas “Vejam, se vocês receberem bens ou serviços do governo, passarão a ter de dar algo em retorno.”
Se você precisar recorrer à descrição de seres humanos como se eles fossem outros tipos de animais, estará provavelmente ocultando o fato de que sua argumentação não tem substância e terá na melhor das hipóteses relação tangencial com a realidade. Tenho sido conhecido por referir-me a certos indivíduos como porcos, mas não tento dizer às pessoas que elas na realidade pensam do mesmo modo que animais da fazenda.
A pobreza, tal como a conhecemos, é robustecida pela autoridade. O estado claramente funciona para apoiar aqueles que venham a compartilhar influência com ele. Visto que os pobres têm pouca influência nos círculos de formulação de políticas além da exercida por defensores profissionais, eles são geralmente vistos como peões ou descartes que, se quiserem ter alguma colher de chá(*), alistar-se-ão na instituição militar.
(*) free lunch – Literalmente, almoço grátis, refeição grátis. Essa expressão refere-se a uma tradição outrora comum em tabernas (saloons) nos Estados Unidos. Esses estabelecimentos ofereciam almoços ‘grátis,’ variando de bastante rudimentares a consideravelmente sofisticados, desde que o beneficiado consumisse pelo menos uma bebida. O almoço oferecido normalmente era mais caro do que uma única bebida, mas o dono da taberna apostava na probabilidade de o cliente acabar bebendo dois ou mais drinques e na probabilidade de essa prática compensar a falta de consumo em outras horas do dia. Ver http://en.wikipedia.org/wiki/Free_lunch
Como anarquista, sou decididamente contra todos os programas do estado. A raiz do problema, porém, não está em algumas pessoas serem obrigadas a pagar a refeição de outras. A raiz do problema é que a autoridade arruína a oportunidade econômica, vira de cabeça para baixo a competição entre fornecedores, e diz às fileiras inferiores para obedecer ou pagar, enquanto inventa para elas novas exigências a serem por elas satisfeitas. A raiz do problema é que os autoritários vêem as outras pessoas como meios para a realização de seus desejos de comando.
Toda vez que um político como Bauer ganha fama com novos projetos do governo, o visível é o glamour e glória da obra ou da moralização. O que se procura ocultar é os indivíduos empurrados para as margens da economia, ao seus bairros serem destruídos e seus meios de vida serem subtraídos.
Quando o governo assume maior controle de que modelos de negócios são permitidos e de que escolhas são aceitáveis, constrói barreiras mais altas para entrada no mercado. O governo protege corporações que roubarão qualquer coisa de qualquer pessoa se entender que isso aumentará seus lucros por mais tênue seja a margem. Em seguida o governo pune aqueles que, depois de serem apanhados contornando as barreiras a entrada no mercado, não têm condições de contratar os melhores advogados.
A ação direta, efetuando mudanças sem ser autorizado ou sem observar os canais estabelecidos, é o modo de pensar na solução. Não é meu papel decidir que riscos outras pessoas deverão correr, e sim pensar em quem a autoridade protege e serve. Praticamente todas as pessoas podem praticar algum tipo de ação direta para melhorar o mundo. O tipo de construção de comunidade fomentado pela ajuda mútua (compartilhamento de recursos físicos, trabalho e conhecimento para benefício mútuo) poderá melhorar a vida de grande número de pessoas. Também o fará o expressar, pelo menos privadamente, solidariedade em relação àqueles apanhados ao tentarem subverter o establishment e assumir o controle de suas próprias vidas.
Toda vez que as necessidades de uma pessoa são supridas a partir de fora do sistema é rompida uma barreira conducente à destruição do sistema. A criação de organizações antiautoritárias ajudará as pessoas a se tornarem mais autônomas. Poderá também tornar o mundo mais participativo e mais responsivo aos desejos de mais indivíduos.
As observações de Bauer a respeito de seres humanos desgarrados traem uma atitude que os políticos geralmente insinuam jeitosamente: a de o valor de um indivíduo consistir em sua capacidade de satisfazer às demandas da autoridade. Para os anarquistas, cada indivíduo existe para seu próprio benefício, e a liberdade de cada indivíduo só precisará ser restringida se o indivíduo infringir a igual liberdade de outra pessoa. Os anarquistas substituem exigências autoritárias por respeito por indivíduos não invasivos e pela compreensão de que um mundo melhor só poderá existir se o construirmos.
Darian Worden é escritor anarquista individualista com experiência em ativismo libertário. Sua ficção inclui Traga uma Arma de Fogo para o Dia de Aula Bring a Gun To School Day e, a ser publicado, Guerra Comercial Trade War. Seus ensaios e outras obras podem ser vistos em seu website pessoal his personal website. Ele também tem um programa de rádio na internet, Pensar a Liberdade, em PatriotRadio.com.