Postado por Thomas L. Knapp em 30 de dezembro de 2009 em Commentary
Você já ouviu isto antes, estou certo:
“Se você não votar, depois não poderá reclamar.”
“Não votar significa um voto para o vencedor e para as políticas do vencedor. Se você não gosta dele e delas, deverá ter votado no outro candidato.”
Essas pequenas porções de sabedoria convencional estão baseadas na asserção — por vezes explícita, por vezes apenas implícita — de que não votar é o mesmo que consentir com as escolhas feitas por aqueles que votam. Essa mesma sabedoria convencional geralmente atribui a decisão de não votar a “apatia.”
Não tentarei dizer a você se deverá ou não votar. Há suficiente discordância razoável a respeito, dentro do movimento por uma sociedade sem estado. Se vocês estiverem interessados nos argumentos, sugiro lerem, de uma parte, “Uma Pequena Introdução ao Não Votar” “A Short Introduction to Non-Voting” de Carl Watner e, de outra, “O Problema do Partido Libertário” “The Problem of the Libertarian Party” de Murray N. Rothbard, que constitui o capítulo quatro de seu ensaio “Konkin, Acerca da Estratégia Libertária” “Konkin on Libertarian Strategy.”
Votar ou não é uma decisão pessoal. Se você, porém, decidir não votar, eu gostaria de sugerir que torne tal decisão mais significativa mediante transformá-la em pedaço de matéria fecal antipolítica dentro da tigela de ponche político. Ou, para fazer-me mais claro, você deveria fazer todo esforço possível para tornar seu não-voto interpretado como pretende seja ele interpretado, em vez de simplesmente permitir ficar inconteste a assertiva da sabedoria convencional de “consentimento tácito.”
A sabedoria convencional diz que não votar em ninguém é “votar no vencedor.”
A sabedoria convencional diz que se alguém não votar, será provavelmente porque não se importa.
Defenda sua própria posição!
Declare clara e publicamente que sua decisão de não votar, se tiver de ser considerada como representando um voto, deverá ser vista como um voto em NINGUÉM. E, ademais, insista em que esse voto em ninguém deva ser … contado!
Você não é apático. Apenas não gosta de nenhum dos candidatos. Você não acredita que qualquer deles possa representar você, ou deva ser visto como fazendo-o. Você não consente em ser governado ou representado, pelo menos não por qualquer das pessoas candidatas à função de governar ou representar você.
Em qualquer eleição dada, esses votos em NINGUÉM — votos não colocados na urna por eleitores registrados, não colocados na urna por aqueles qualificados para votar que tenham optado por não se registrar, e não colocados na urna por aqueles proibidos de votar pelas lei eleitorais — geralmente constituiriam, se contados, pelo menos uma pluralidade e usualmente a maioria de todos os votos.
Seus pretensos representantes, naturalmente, de caso pensado espertamente ignorarão você, e irão em frente com seu papel de fingir representar você, se puderem safar-se ao fazer isso.
Se você não permitir que eles se safem — se você e outros não-eleitores fizerem algum alarido real deixando claro que aqueles sujeitos não são “seus representantes” de acordo com qualquer definição razoável — poderá ser divertido. Já ouviram o ganido do cão ladrão de ovos quando o fazendeiro o surpreende perto do galinheiro e descarrega no traseiro dele cartuchos cheios de sal grosso? É muito parecido com o som que um político emite quando forçado a contender com a afirmação de que seus “serviços” não são nem necessários nem desejados. Pessoalmente, acho esse som particularmente mavioso.
Se você não votará, declare publicamente antes de cada eleição principal que não votará. Escreva uma carta para o editor. Telefone para um programa interativo de rádio. Comente no web site de seu jornal local abaixo de um artigo acerca da próxima eleição.
Depois da eleição, prossiga do mesmo modo: “Das 400.000 pessoas residentes neste distrito, mais de 300.000 não votaram no candidato X. Mais de 200.000 votaram em NINGUÉM. O candidato ‘vencedor’ recebeu apoio de menos de 25% de seus alegados eleitores em potencial. Se isto é realmente uma democracia, não deveria aquele assento ficar vazio durante o mandato? Essa é a vontade não ambiguamente declarada da maioria, afinal de contas.”
Não, você não “vencerá” uma eleição dessa maneira — o sistema está estruturado para impedir isso a todo custo — mas não é esse o ponto. Se você se abstiver de votar como expressão de sua rejeição de tal sistema, o próximo passo será usar essa expressão como uma ferramenta de exacerbação. Erga sua voz a fim de outros como você poderem ouvi-la e agregar-se!
O Analista de Notícias do C4SS Thomas L. Knapp é ativista libertário de longa data e autor da Escrita do Artigo Opinativo Libertário Writing the Libertarian Op-Ed, livrinho eletrônico o qual partilha os métodos subjacentes a seus mais de 100 artigos publicados na mídia majoritária impressa. Knapp publica o Sumário de Notícias da Revista Racional Rational Review News Digest, um apanhado diário de notícias e comentários para o movimento da liberdade.