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Postado por Thomas L. Knapp em 5 de dezembro de 2009 em Commentary
Esquerda, direita, esquerda, direita, esquerda, direita, esquerda … quem consegue ver a diferença nos dias que correm? O partido no poder — qualquer seja ele — faz política na base do precedente, não da ideologia. Antigos programas são preservados, talvez “reformados.” O partido de oposição luta de unhas e dentes contra novos programas — então mantém-nos e expande-os ao deixar a oposição e assumir o poder. O governo torna-se maior, nunca menor e, como o discurso do Presidente Barack Obama em West Point na última terça-feira revela, os políticos apresentam pelo menos tanta probabilidade (se não mais) de dobrar a aposta nas ideias ruins de seus predecessores, e bem assim em quaisquer boas ideias desgarradas que possam acidentalmente ter sido incluídas no programa.
A guerra do governo dos Estados Unidos no Afeganistão entrou em seu nono ano sem nenhuma luz no fim do túnel. Até agora, seus frutos incluem mais de 800 mortos dos Estados Unidos e aproximadamente 1.500 da “coalizão,” e nada menos de 30.000 civis afegãos mortos.
Vinda à existência em função do hórrido resultado imprevisto e indesejável(*) da arrogância da política externa estadunidense, a guerra caracteriza não um recuo, e sim a sacramentação dessa arrogância. Ela foi equivocada desde o início: Logo que seus objetivos excederam ou se desviaram da liquidação do aparato de comando e de controle da al Qaeda — como sucedeu desde o começo — ficou praticamente garantido que nem aquele objetivo nem qualquer outro seria atingido. E nem o foram.
(*) blowback – Efeito, resultado ou conjunto de repercussões não antevisto e não desejado. – Merriam-Webster.
Aí surge Obama, com um plano de “reforço” de mais 30.000 soldados dos Estados Unidos no Afeganistão (havendo já dobrado o tamanho da força dos Estados Unidos ali no ano anterior, sem qualquer resultado), com custo de $30-$45 milhões de dólares, numa promessa de “começar a acabar” com a guerra daqui a dois anos, em torno do 10o. aniversário da própria.
Os que estão surpresos não deveriam estar. Apesar de toda a conversa de Obama como “candidato da paz” em 2008, o fato é que ele se mostrou belicoso em toda oportunidade, prometendo expandir a guerra no Afeganistão e talvez até estendê-la para mais além, para dentro do Paquistão. Fez ambas as coisas, e logo agora na semana passada aprovou expansão do programa de aviões não tripulados de “assassínio por controle remoto” dos Estados Unidos no Paquistão, esperando levá-lo além da província do Waziristão e para dentro do Baluquistão.
O problema da política no concernente à política externa é nenhum político acreditar poder dar-se ao luxo de parecer “fraco” ao concorrer ao cargo. E todo político, com a possível exceção de um presidente em segundo mandato, está sempre concorrendo a um cargo. Obama teve que mostrar-se mais falcão do que John McCain — e do que George W. Bush — para ser eleito. No cargo, ele tem que ser mais falcão tanto do que seu predecessor quanto do que todo opositor Republicano em perspectiva, a fim de ser reeleito.
O único tipo de ocasião em que um “candidato da paz” tem probabilidade de chegar à Sala Oval é quando a nação está exausta por causa da, e desencantada com a, guerra … situação à qual o sistema está engrenado para chegar inevitável, mas mas vagarosamente. Richard Nixon conseguiu ser eleito em 1968 como candidato da “paz com honra,” num momento em que os Estados Unidos haviam óbvia e irreversivelmente sido derrotados no conflito do Vietnã. Ainda assim, ele estendeu o conflito por mais quatro anos a fim de não ser visto como “fraco”.
Os incentivos da política apontam, todos, para a guerra, ou pelo menos para a constante disposição de fazer guerra.
Posto que a política — tanto interna quanto internacionalmente— é, em última análise, nada mais do que uma luta por território entre gangues de rua, é apenas natural que o jingoísmo leve a melhor e a vantagem vá antes de tudo para o candidato “homem forte.” Política é algo a propósito de força. Um “candidato da paz” bona fide é aproximadamente tão viável quanto Madre Teresa no processo de seleção para líder da família criminosa Gambino.
A tendência belicosa existente na política é fertilizada e aguada pela batelada de dinheiro derramado no processo político por empreiteiros de “defesa” e outros parasitas do trato digestivo do sistema capitalista de estado. Eles gastam muito dinheiro tentando enfiar vocês e o patrimônio de vocês numa das extremidades daquele trato na expectativa de os ossos descarnados de vocês saírem pela outra extremidade. No Iraque e no Afeganistão, eles até agora esfolaram vocês em cerca de um trilião de dólares, acima e além das mais de 5.000 vidas de estadunidenses diretamente tomadas.
Até políticos “da corrente majoritária” tiveram ocasião de advertirem-nos dos perigos em que esse sistema implica, como fez Dwight D. Eisenhower em seu discurso de despedida em 1960. O que eles não estão dispostos a admitir — e com o que precisaremos em algum momento nos atracar — é que esses perigos são inerentes, congênitos, inevitáveis e progressivos. Podemos ter política, ou podemos ter paz. Não podemos ter ambas.
O Analista de Notícias do C4SS Thomas L. Knapp é ativista libertário de longa data e autor da Escrita do Artigo Opinativo Libertário Writing the Libertarian Op-Ed, livrinho eletrônico o qual partilha os métodos subjacentes a seus mais de 100 artigos publicados na mídia majoritária impressa. Knapp publica o Sumário de Notícias da Revista Racional Rational Review News Digest, um apanhado diário de notícias e comentários para o movimento da liberdade.