http://c4ss.org/content/1475
Postado por Thomas L. Knapp em 29 de novembro de 2009 em Commentary
O artigo foi primeiro publicado no jornal do Estado de Washington Tri-City Herald, mas foi a manchete reformulada do Miami Herald que chamou minha atenção: “Aquilo que você quer saber: Como Sarah Palin passou o Dia de Ação de Graças” “What you want to know: How Sarah Palin spent Thanksgiving.”
Não, não particularmente. Na verdade, absolutamente não. Presumivelmente, porém, muitas pessoas querem manter em dia seu calendário social e saber todo pequeno detalhe da vida dela. O novo livro dela já vendeu meio milhão de exemplares.
É assustador — e não apenas por suceder de Palin ser a glamour girl do momento. A ideia toda de “político estrela do rock” parece constituir uma tendência cultural relativamente nova e, francamente, inquietante.
Quando será que começou, e quanto tempo levou para chegar-se ao ponto em que a cerveja preferida de Barack Obama Barack Obama’s preferred beer, ou se Hillary Clinton consegue ou não beber uísque e ficar firme whether or not Hillary Clinton can hold her whiskey, tornaram-se assuntos de intenso interesse por parte do público?
Não me entendam mal: Há sempre algum nível de fascínio pelas vidas “privadas” dos políticos, especialmente quando o aspecto pessoal possa refletir-se negativamente na ética de um aspirante. Desde o jingle da campanha de James G. Blaine acerca da filha fora do casamento de Grover Cleveland (“Ma, Ma, onde está meu pa? / Foi para a Casa Branca, ha, ha, ha!”) até o caso extramarital(*) de Gary Hart a bordo do iate Moneky Business, atividades lascivas têm, em geral, sido vinculadas ao “interesse público.”
(*) monkey business – Essa expressão, que traduzi por ‘caso extramarital’, tem significado mais geral, de ‘conduta desonesta’. O verbo ‘to monkey’, literalmente macaquear, designa comportamento imaturo, inadequado ou grosseiro. A palavra business, nessa expressão, significa atividade ociosa, sem objetivo, algo que ocupa o tempo sem trazer resultados úteis. Portanto, monkey business designa uma atividade que não é séria, uma atividade ociosa ou desonesta. Ver http://www.economicexpert.com/a/Monkey:business.htm
É de esperar-se na política, também, um mínimo de teatralidade — a Primeira Dama quebrando uma garrafa de champanhe na proa de um novo vaso naval, o prefeito cortando a fita no local de um novo projeto de construção, o que quiserem.
Realmente, porém, se pararmos para pensar, até recentemente os políticos eram usualmente vistos como um punhado de homens entediantes engajados em atividades de reputação nada boa. Nixon indo à China para firmar um acordo com Mao, ou Carter vestindo suéter e dando-nos lições de conservação de energia. Ninguém realmente dava a mínima para se a Primeira Família passava um fim de semana livre em Camp David ou em Martha’s Vineyard. Exceto pelo resumido artigo de “interesse humano” acerca de com quem o Presidente jogara golfe na última sexta-feira ou que vestido sob medida a Primeira Dama vestiu num jantar oficial, essas coisas não eram relacionadas a política, realmente não eram políticas.
Será que o “Camelot(*)” de JFK e Jackie foi o começo da tendência, ou apenas um indicador precoce anômalo? Quando foi que os políticos se tornaram … glamorosos?
(*) A administração Kennedy veio a ser conhecida como Camelot, nome de um musical da Broadway, lançado pouco depois da vitória de John F. Kennedy, acerca do Rei Artur, fato creditado pela mulher dele, Jackie, à admiração de Kennedy pelo musical. Ver http://en.wikipedia.org/wiki/John_F._Kennedy#Image.2C_social_life_and_family
Em certo sentido, sempre o foram. Lembrem-se, a real definição definition de “glamour” é “interesse artificial em, ou associação com, um objeto, por meio do qual se aparece ilusoriamente ampliado ou glorificado.”
Os políticos urdem ilusões para o público desde tempos imemoriais, tanto no polo pessoal (os estrênuos esforçs de FDR para evitar ser fotografado numa cadeira de rodas, por exemplo) e no polo político (Desde “Lembrem-se do que aconteceu ao Maine(*)” ao “Incidente do Golfo de Tonquim” a “Saddam tem armas de destruição em massa,” para mencionar três exemplos relacionados com a guerra).
(*)http://www.smplanet.com/imperialism/remember.html
O que mudou, nas décadas desde o aparecimento da televisão, e acelerou-se na cobertura noticiosa 24 horas por dia 7 dias por semana da Internet, foi a politização de praticamente todos os aspectos da vida dos políticos.
Por que Barack Obama bebeu uma Bud Lite na “cimeira da cerveja?” Porque qualquer Presidente dos Estados Unidos beberá uma cerveja estadunidense, e qualquer Presidente Democrata dos Estados Unidos beberá uma cerveja estadunidense feita por trabalhadores sindizalizados. Por que Hillary faz questão de engolir uma dose de uísque em público vez por outra? Porque a primeira presidente mulher será mulher que tenha … provado sua macheza!
Sim, essa rotina é uma imposição aos políticos. Eles têm que talhar todas as suas ações para mandar “a mensagem correta” a sua base, e para tantos eleitores indecisos quanto possível, tentando ao mesmo tempo ofender tão poucos quanto possível.
O que ganham com isso? Tempo aparecendo. Reconhecimento do nome. E, acima de tudo, inflação da percepção de sua indispensabilidade na mente do público. Afinal de contas, qualquer pessoa importante a ponto de seu cardápio de jantar e destino de férias serem noticiados ininterruptamente no noticiário da noite há de ser realmente importante, certo?
Ou talvez não. Talvez sejam apenas atores secundários num espetáculo para o qual todos nós somos obrigados a comprar entrada mas melhor faríamos não indo ver. Talvez não precisemos deles tanto quanto eles pensam que precisamos, ou tanto quanto eles desejam que pensemos que precisamos.
Não me interessa em absoluto saber como Sarah Palin passou o Dia de Ação de Graças. Já comprei peru em quantidade suficiente para me preocupar por aqui mesmo, muito obrigado.
O Analista de Notícias do C4SS Thomas L. Knapp é ativista libertário de longa data e autor da Escrita do Artigo Opinativo Libertário Writing the Libertarian Op-Ed, livrinho eletrônico o qual partilha os métodos subjacentes a seus mais de 100 artigos publicados na mídia majoritária impressa. Knapp publica o Sumário de Notícias da Revista Racional Rational Review News Digest, um apanhado diário de notícias e comentários para o movimento da liberdade.